quarta-feira, Maio 09, 2012

ALPS (2011), de Giorgos Lanthimos



Uma enfermeira (Aggeliki Papoulia), um paramédico (Aris Servetalis), uma ginasta (Ariane Labed) e o seu treinador (Johnny Vekris) fundam um grupo de apoio, denominado de Alpes, no qual, e contratados por familiares e amigos, fazem-se passar por pessoas falecidas recentemente. Apesar do regime disciplinado imposto pelo seu líder, a enfermeira começará a ignorar as regras deste estranho grupo...



Tal como CANINO (2009), obra anterior de Lanthimos que agitou o panorama cinematográfico mundial, ALPS volta a delinear um conto moral sobre relações familiares recheado de humor surreal e absurdo, de personagens unidimensionais, de referências culturais populares (nomeadamente, ao próprio cinema) e de uma mise-en-scène cimentada em enquadramentos fugidios. Apenas a sagaz criatividade de CANINO não é aqui repetida: as situações são recicladas, a violência — física e/ou psicológica — é previsível, a inexpressividade predomina.

No entanto, ALPS é (uma vez mais, tal como CANINO o era) um estudo medianamente bem construído sobre condicionamento humano e identidade pessoal, permitindo-nos observar o talento de Aggeliki Papoulia, talvez a actriz europeia mais pecular em expressividade e contenção da actualidade.

As surpresas rareiam por aqui, mas o estilo peculiar de Giorgos Lanthimos está bem vincado. Razão suficiente para não menosprezarmos ALPS e continuarmos a acompanhar o trabalho do cineasta helénico.

2 comentários:

Inês Moreira Santos disse...

Este é daqueles que mesmo que tivesses dado apenas uma estrela eu iria querer ver. :P E mais uma vez, estes gregos andam com uma imaginação do caraças!

Cumprimentos cinéfilos :*

Sam disse...

Inês, é um estilo de cinema sempre irresistível. Embora não atinga o brilhantismo do CANINO ou do ATTENBERG, tenho quase a certeza de que vais gostar deste :)

Cumps cinéfilos :*